As Anfetaminas são substâncias estimulantes que aceleram a transmissão de mensagens entre o corpo e o cérebro. A sua ação pode variar consoante o indivíduo, o ambiente e as circunstâncias do consumo. No entanto, existem efeitos comuns associados ao seu uso.
Efeitos Imediatos:
- Sensação de euforia;
- Insónia;
- Fala excessiva;
- Aumento da confiança e da autossatisfação;
- Agitação e, em alguns casos, agressividade;
- Falta de apetite;
- Fadiga e hiperatividade.
Uma das ações próprias das anfetaminas é a sua capacidade de aumentar o nível de atenção e de concentração em determinadas tarefas, razão suficiente para que o seu uso esteja tão difundido nos meios estudantis.
Efeitos físicos:
- Transpiração excessiva;
- Sede;
- Aumento da tensão arterial;
- Náuseas;
- Má disposição;
- Dor de cabeça;
- Vertigens
Ação no Sistema Nervoso Central (SNC)
As anfetaminas atuam no SNC, aumentando a atividade cerebral. São substâncias sintéticas, criadas em laboratório, e o seu efeito pode durar entre 3 a 4 horas.
Efeitos Posteriores ao Consumo
Devido ao prolongamento dos seus efeitos estimulantes, é comum que os consumidores experienciem grande cansaço, depressão e irritabilidade nos dias seguintes ao consumo.
Redução de Riscos
- Uso de doses pequenas e controladas – O risco de overdose pode ser reduzido ao iniciar com doses pequenas e aumentá-las gradualmente.
- Hidratação constante – A ingestão de líquidos é essencial para evitar a desidratação causada pelo aumento da transpiração.
- Fazer pausas durante o uso – Permitir que o corpo se recupere reduz a sobrecarga no sistema nervoso.
- Cuidar da alimentação – Apesar da supressão do apetite, é importante manter uma dieta equilibrada.
- Evitar o uso combinado com outras substâncias – A interação com depressores do SNC, como álcool e benzodiazepinas, aumenta os riscos.
- Monitorização da saúde mental – Consultar um profissional pode ser essencial para prevenir dependência ou distúrbios psicológicos.
- Evitar o uso frequente ou prolongado – A exposição prolongada aumenta a tolerância, dependência e riscos para a saúde.
- Ambiente seguro e confortável – O consumo em locais seguros pode ajudar a minimizar comportamentos impulsivos.
Formas de Consumo
As anfetaminas são comercializadas sob a forma de cristais, pó (branco ou cinzento) ou comprimidos. Podem ser inaladas, ingeridas oralmente ou injetadas. No mercado ilícito, apresentam baixa pureza e variação na textura e cor.
Danos para o Consumidor
- Mortalidade – Risco de overdose e redução da expectativa de vida;
- Danos à saúde – Possíveis complicações como cirrose ou exposição a doenças transmissíveis;
- Dependência – Necessidade de continuar a consumir apesar das consequências adversas;
- Perturbação mental – Alterações psicológicas ou psiquiátricas, incluindo transtornos de humor;
- Perda de ativos tangíveis – Redução do desempenho académico e profissional, podendo levar a desemprego ou prisão;
- Danos nos relacionamentos – Impactos negativos na convivência familiar e social.
Danos para a Sociedade
- Violência e Criminalidade – Maior envolvimento em crimes relacionados com a obtenção da droga e aumento do risco de violência doméstica e acidentes;
- Adversidades familiares – Possibilidade de desestruturação familiar e negligência infantil;
- Custo económico e social – Impacto nos sistemas de saúde, justiça e produtividade, contribuindo para a degradação social.
Efeitos a Longo Prazo
Os consumidores de anfetaminas desenvolvem rapidamente tolerância, levando ao aumento progressivo das doses consumidas. O uso prolongado pode resultar em confusão, ansiedade intensa, paranoia e alucinações. Reações psicóticas incluem delírios de perseguição e omnipotência. Memória e cognição também podem ser comprometidas, com sintomas que persistem por meses.
Consumidores frequentes de anfetaminas apresentam alto índice de bruxismo (ranger dos dentes) e cáries graves, devido à salivação reduzida, substâncias corrosivas na fumaça e deficiência na higiene oral, conhecida como “boca de metanfetamina”.
Referências Bibliográficas:
Global Commission on Drug Policy. (2019). Classificação de substâncias psicoativas: Quando a ciência foi deixada para trás [Relatório]. https://www.globalcommissionondrugs.org/wp-content/uploads/2019/06/2019Report_POR_web.pdf
European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction (EMCDDA). (2019). European Drug Report 2019: Trends and Developments. Luxembourg: Publications Office of the European Union.
Nutt, D., King, L. A., & Phillips, L. D. (2010). Drug harms in the UK: A multicriteria decision analysis. The Lancet, 376(9752), 1558-1565.
World Health Organization (WHO). (2016). The Health and Social Effects of Nonmedical Cannabis Use. Geneva: WHO Press.
MSD Manual. (s.d.). Anfetaminas. MSD Manual de Diagnóstico e Tratamento. Recuperado em 17 de março de 2025, de https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/t%C3%B3picos-especiais/drogas-il%C3%ADcitas-e-intoxicantes/anfetaminas
